“Cada língua representa uma história em minha vida, uma marca na minha alma, como uma fuga do isolamento e da ignorância.”
Jónior de Faria Antunes
Se, aos dez anos, alguém chegasse até mim ou aos meus pais e dissesse, em tom profético, que eu não só dominaria o português, mas também falaria outros idiomas, com certeza ninguém acreditaria – nem eu mesmo.
Comecei a falar bem tarde, por volta dos 7 anos, e, ao entrar na escola, enfrentei enormes dificuldades de comunicação – desafios que hoje entendo estar relacionados ao autismo. Na minha geração, ser autista era reconhecido apenas em casos severos, e assim fui sobrevivendo, enfrentando os desafios e até os bullying da vida estudantil.
Em contrapartida, o contato com o Esperanto na adolescência, descoberto através de uma revista, transformou minha trajetória. Aprendi essa língua internacional na era pré-internet e, a partir desse primeiro contato com o mundo exterior, desenvolvi um hiperfoco linguístico que me impulsiona a aprender constantemente uma nova língua.
Acredito que, enquanto viver, continuarei a expandir meu repertório – posso facilmente imaginar que, até os 100 anos, estarei sempre aprendendo algo novo.
Esse intenso interesse por idiomas me levou a seguir a carreira de professor, com o francês sendo meu principal ganha-pão, uma vez que fui aprovado em concurso público para lecionar na Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) e sou formado em Licenciatura em Língua e Literatura Francesa pela UnB.
Além disso, sou habilitado para dar aula de Libras, tendo concluído uma pós em Docência em Libras; cursei também uma segunda licenciatura em Letras – Língua e Literatura Espanhola – pela Unieuro; e possuo certificado internacional de Esperanto (KER-Ekzameno) pela Universidade Eötvös Loránd, de Budapeste, Hungria.
Vale notar que meu domínio em cada língua varia conforme a época em que comecei a me dedicar a ela. A falta de contato constante pode me afastar da fluência temporariamente, até que eu retome o foco em cada idioma.
Esperanto
Como mencionei, o Esperanto é a minha segunda língua – tão importante quanto a materna, a porta que se abriu para o mundo exterior.
Já integrei a diretoria da Associação Brasiliense de Esperanto, por volta de 2014, e atualmente atuo como voluntário.
Desenvolvi a nova logo e o site esperanto.bsb.br, além de prestar apoio às sextas-feiras pela manhã.
Quer saber mais?
Assista ao vídeo em meu canal Escalada Poliglota fixado no slide ao lado:
O que é Esperanto?
Francês
Meu primeiro contato com o francês aconteceu por iniciativa da minha mãe, que me matriculou no CILT, uma escola de idiomas pública de Taguatinga, DF. O interessante é que uma das professoras – que se tornou minha orientadora durante o estágio do curso de Letras e, posteriormente, minha colega de trabalho – marcou profundamente essa trajetória, sendo a primeira instituição onde atuei após ser aprovado no concurso público.
Atualmente, estou lotado no Centro Interescolar de Idiomas (CIL 2), uma escola pública especializada no ensino de línguas estrangeiras. Além disso, tenho um projeto em andamento para iniciar o ensino de português para falantes de francês, cujo canal será o “Escale Brésil-Lusophonie”, embora ainda não esteja operante.
Libras
Comecei a estudar a Língua Brasileira de Sinais para incrementar o meu currículo na Secretaria de Educação, e fui voluntário em um católico que interpretava a missa e eventos para Surdos.
Posteriormente fui cedido para a ONG Apada (Associação de Pais e Amigos do Deficientes Auditivos), onde trabalhei por 14 anos como professor de Surdos, principalmente como professor de português, mas também fazia outras outras atividades como ensinar espanhol, Esperanto, biscuit e até português para um Surdo francês.
Estando na instituição fiz pós graduação em docência em Libras, e dou aula particular de Libras, pretendo incorporar o curso de Libras no Escalada Poliglota um dia.
Catalão
Aprendi o catalão antes do castelhano, minha aproximação ao catalão surgiu de um breve relacionamento, e acabei me apaixonando pela língua e pela história do povo catalão.
Em 2010, tive a oportunidade de viajar até a Catalunha – tanto na parte espanhola quanto na francesa –, praticando de forma autodidata e alcançando uma fluência significativa por meio da imersão.
No momento, sinto que estou enferrujado devido à falta de contato, mas pretendo retomar a prática nos encontros do Polyglot Club.
Espanhol
Meu interesse pelo espanhol surgiu pela convivência diária com falantes dessa língua, e minha primeira experiência internacional foi no Uruguai. Ao chegar à Espanha em 2010, eu ainda dominava o básico, pois havia priorizado o catalão.
Essa viagem despertou em mim uma preferência pela variante europeia, embora eu esteja considerando dar preferência à América Latina – por exemplo, a Colômbia, que pode ser mais acessível. Além disso, me graduei em Letras Espanhol pela Unieuro de Águas Claras, DF, o que me habilita para ensinar a língua, e já acumulei experiência com aulas particulares.
Inglês
O inglês sempre me perseguiu de certa forma; confesso que, inicialmente, não apreciava seus sons e até tinha um orgulho idiota de não dominá-lo.
Tudo mudou quando me deparei com o inglês britânico, que se tornou meu modelo de aprendizagem. Atualmente, estou me aperfeiçoando nessa língua e pretendo até concluir um curso de Letras em inglês para ministrar aulas no Escalada Poliglota.